As Mulheres de Gil Vicente
Não admira, por isso, que a mulher se transforme em veículo e instrumento de crítica a uma sociedade dominada pelo masculino, e que na garridice da sua juventude ou na astúcia da sua experiência ressabiada, a mulher seja, no plano didáctico e cómico, a castigadora e Amazona do homem, maneira de a comédia vicentina afirmar os caminhos da emancipação e da autonomia da mulher.
A MULHER EM GIL VICENTE,
de Júlia Maria Sousa Alves Silva, edições
APPACDM distrital de Braga 1995.
AS MULHERES DE GIL VICENTE
Representa um trabalho de pesquisa, a partir de algumas das obras mais representativas do autor, onde se procura abordar o tratamento particular dado por Gil Vicente às personagens femininas.
Composto a partir de excertos de Auto da Sibila Cassandra, Auto de Mofina Mendes, Auto Pastoril Português, Auto da Feira, Frágoa d'Amor, Comédia de Rubena, Auto da Índia, Farsa de Inês Pereira e Farsa das Ciganas, o espectáculo foi pensado para um público escolar, particularmente para os alunos do ensino secundário.
Apresentando o autor sob uma faceta original, nomeadamente do ponto de vista do tratamento dado à suas personagens femininas, pretende-se estimular a leitura e o estudo das suas peças, revelando através de um espectáculo musical e divertido, uma temática actual e sempre controversa, como é o caso do papel das mulheres na sociedade.
Estas mulheres de Gil Vicente, são pastoras que discutem o casamento, mães solteiras, criadas, parteiras, senhoras adúlteras, meninas casadoiras, casamenteiras e ciganas. Elas compõem um painel bastante exaustivo do papel reservado às mulheres na sociedade contemporânea de Gil Vicente e dão um colorido especial à sua obra.
Numa adaptação que não se pretende clássica, embora respeitando, sempre que possível, o texto original, o espectáculo é apresentado de uma forma moderna e desempoeirada, revisitando o séc. XVI com um olhar jovem do sec.XX.
Filipe Crawford
Ficha artística
Texto original: Gil Vicente; Adaptação,
Colagem de Textos e Encenação: Filipe Crawford;
Concepção Cénica: Conceição
Ferreira e Filipe Crawford; Telão: Nuno Lemos;
Figurinos: Conceição Ferreira; Música
Original: Quim Tó; Coreografia: Catarina
Matos; Montagem: Ricardo Trindade; Assistência
de Figurinos e Montagem: Sara Gil e João Sofio;
Design Gráfico e Fotografia: Carlos Francisco;
Desenho de Luz: Ricardo Trindade; Operação
de Luz e Som: Sara Gil e João Sofio; Direcção
de Produção: Conceição Ferreira;
Assistência de Produção: Paula
Fernandes e Teresa Rouxinol; Interpretação:
Catarina Matos, Fátima Pinto, Maria Arriaga e Sílvia
Marques/Catarina Requeijo.
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